AUTOVISTORIA - Que coisa misteriosa é essa?
Hoje, a fim de esclarecer melhor e, em algumas poucas palavras, postamos algumas considerações que visam auxiliar os Síndicos e Administradores de imóveis, no evento que se
denomina Autovistoria, o laudo técnico das reais condições físicas das
edificações cadastradas na Prefeitura do Rio de Janeiro, instituído por decreto
do Exmº Sr. Prefeito da cidade, e cujo primeiro prazo de apresentação da
documentação ao órgão fiscalizador expira em 1º de janeiro de 2014.
Na palestra realizada no CAU-RJ (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do
Rio de Janeiro), ministrada pelo Arqº Silvio Coelho, coordenador de
Fiscalização Predial da Secretaria Municipal de Urbanismo, ficou clara a
urgência em se criar meios que atestem as condições dos edifícios urbanos, assim
como, também cristalina, a impossibilidade de se conceber um roteiro prévio de
como devam se conduzir essas verificações técnicas, tal a diversidade de
características dos imóveis, da experiência de cada profissional que se propõe
a esta especialidade, e ainda, ao caráter subjetivo que alguns pareceres podem
apresentar.
Autovistoria – o que é?
Com cerca de 280 000 condomínios urbanos
cadastrados, categorizados nos critérios do Decreto Regulamentador Municipal nº
37426 (anexo 1, abaixo) como edificações que carecem de garantias de
“conservação, estabilidade e segurança”, a Prefeitura do Rio de Janeiro vem
buscando alternativas para garantir essas prerrogativas, agora através do
instrumento legal denominado AUTOVISTORIA.
A autovistoria nada mais é que a verificação técnica confiável das
verdadeiras condições da edificação, de sorte a que possa garantir,
principalmente, a segurança de seus ocupantes e usuários. O artigo 1º do
decreto regulamentador é muito claro e objetivo nesse aspecto:
Art.
1º Ficam os responsáveis pelas edificações existentes
no Município do Rio de Janeiro, inclusive as edificações tombadas, preservadas
e tuteladas, obrigados a realizar vistorias técnicas periódicas, com intervalo
máximo de cinco anos, para verificar as condições de conservação, estabilidade
e segurança e garantir, quando necessário, a execução das medidas reparadoras.
Entende-se como “verificação técnica
confiável”, o trabalho executado apenas por Arquitetos e Engenheiros,
considerados perfeitamente aptos a essa tarefa, face à sua formação e
conhecimentos específicos, tendo como diferencial apenas a experiência
profissional de cada um.
O que deve ser vistoriado?
- Em princípio, devem ser vistoriadas todas
as partes da edificação que sejam passíveis de degradação, deterioração e
manutenção. Assim, devem-se verificar os aspectos estruturais, as
instalações elétricas, hidráulicas, integridade de elementos de fachada e
de seus revestimentos, instalações mecânicas (elevadores, ar-condicionado
central – quando houver – casas de máquinas de bombas de incêndio etc.),
quaisquer indícios e/ou causas de patologias as mais diversas -
infiltrações, trincas, vazamentos, aquecimentos indevidos -, estruturas dos
telhados e coberturas, elementos diversos agregados ao prédio, conservação
e segurança de elementos de play groud, garagens, central de distribuição
de gás, enfim, tudo o que merecer a atenção do vistoriador com relação à
tríade conservação, estabilidade e
segurança.
- Especial atenção deve ser dada às
instalações elétricas, considerando seus ramais de entrada, quadros de
comando, P.C. de medição, transformadores (quando houver), quadros de
distribuição, caixas de passagem, conexões e todo e qualquer ponto que
contenha potencial elétrico, em uso ou não.
- Entenda-se que todas as vistorias
ocorrerão em partes comuns da edificação, mesmo aquelas de acesso restrito,
como PC’s de medição, casa-de-máquinas de elevador, cabine de bombas de
incêndio etc.
- Nenhuma visitação será feita em
unidades autônomas, dentro do processo da Autovistoria proposto, exceto
aquelas consideradas inevitavelmente necessárias, quando da suspeita de
que alguma anomalia verificada tenha sua origem no espaço particular de um
condômino. Muito embora o vistoriador não possa exigir acesso à unidade
autônoma suspeita, o seu impedimento à informação poderá comprometer ou
mesmo inviabilizar a validade do laudo de vistoria contratado.
Como contratar?
Em se tratando de um decreto muito recente,
esse trabalho ainda está em estágio de desenvolvimento. No entanto, vários
profissionais já estão plenamente aptos à realização de autovistorias,
considerando ser esta a extensão de suas atuações anteriores em perícias,
laudos técnicos, estudos de patologias das edificações, etc. Para sua garantia,
o contratante deverá apenas certificar-se da capacidade técnica do profissional
em vista, avaliando sua experiência anterior, bem como sua regularidade junto
ao seu órgão de classe. Nossa recomendação é que sempre se faça essa
verificação.
A contratação de um profissional habilitado
à Autovistoria não exime o Condomínio/Administrador de suas responsabilidades
primárias, podendo até mesmo ampliá-las, quando do caso de se constatarem
necessidades de providências imediatas quanto à manutenção da segurança da
edificação. Da mesma forma, responsabiliza o profissional, quando o trabalho
realizado omitir (intencionalmente ou não) condições de risco, necessidades de
correção, ou quando houver manipulação de informações que logrem os objetivos
do Decreto acima mencionado.
E quanto custa?
Essa ainda é uma questão controversa. Nosso
critério de custos se baseia na área a ser prospectada, na complexidade das
instalações existentes e nas condições físicas do imóvel. Dessa forma, somente
após uma verificação primária da edificação é que poderemos ofertar um valor
justo para o trabalho a ser realizado. Adotamos o critério do pagamento de 50%
do valor proposto, e o restante, na entrega do laudo de Autovistoria
devidamente assinado, com firma reconhecida em Cartório.
Conclusão:
Entendemos que a Altovistoria deva ser
compreendida como uma espécie de Selo de Qualidade da edificação, sendo moeda
de valor no momento de comercialização do imóvel. Antes de ser uma despesa, a
Autovistoria é um investimento na segurança e na valorização do patrimônio.
Esperamos ter contribuído com alguma luz
para o tema, ainda muito controverso e complexo. Certamente, na medida em que
os trabalhos gerarem uma nova rotina na vida de Síndicos e Administradores,
muitos dos mecanismos ora sugeridos ou previstos, serão aperfeiçoados, trazendo
maiores índices de tranquilidade, segurança e satisfação aos que administram
patrimônios pessoais ou coletivos.