Voltando à nossa última conversa, o nosso imaginário cliente finalmente compra a casa dos sonhos, um sobrado em Botafogo, precisando de reformas. Contrata um arquiteto, faz o projeto e parte para o orçamento. E agora?
Bem, em primeiro lugar, deve-se procurar empresas pelo mesmo critério adotado para a contratação do arquiteto (vide artigo anterior). Opta-se por uns três orçamentos, suficientes para se ter uma visão realista do custo da obra. A escolha da empresa não deve ser balizada apenas pelo seu menor custo, pois, no mercado, o material é o mesmo e os valores muito similares entre os vários fornecedores, salvo num caso ou noutro de estoque antigo, promoções, etc. Mas, como saber se uma empresa ou outra tem o melhor preço? Muito simples: na contratação do projeto, pode ser incluída a confecção de uma planilha de serviços (exemplo em http://www.planilha.net/planilhassobencomenda.htm) e um caderno de especificações (ex. em http://www.cohab.mg.gov.br/imgup/arquivos/Encargos.pdf), e que deverão ser repassados para os concorrentes. Assim, você terá certeza de que todos orçaram a mesma coisa. Planilhas e cadernos de encargos são diferentes entre si, embora tratem da mesma coisa. Teoricamente, a planilha seria conseqüência do caderno de encargos. Daí a importância da experiência comprovada do arquiteto responsável pelo projeto, que será o autor das especificações da obra.
Uma coisa que o contratante deve ter sempre em mente, é que uma obra de reforma sempre traz surpresas. Mesmo num orçamento bem elaborado, os imprevistos podem representar um custo adicional de 10 a 20% no orçamento inicial. Por isso é sempre bom ter-se uma reserva financeira nessa ordem, que pode evitar interrupção nos trabalhos e maior desgaste com o construtor.
Mas, digamos que você fez tudo certo e, na hora do orçamento o custo da obra ficou acima de suas reservas? Nesse caso v. tem algumas alternativas. A primeira é financiar a diferença com o construtor. Dificilmente ele irá recusar e o custo financeiro será mínimo, ao contrário de um empréstimo bancário, outra alternativa possível. V. também pode optar por não fazer alguns serviços da planilha, deixando-os para mais tarde, quando estiver novamente capitalizado. Essa, porém, é uma alternativa que deve ser bem avaliada, pois fazer obra com a casa em uso é um transtorno dos grandes. Além do mais, o serviço acaba saindo mais caro, seja por se iniciar um novo processo, com custos diluído num universo muito menor, seja por que interfere em partes concluídas que deverão ser refeitas, claro, com algum custo.
Depois de tudo isso, muna-se de um contrato muito bem elaborado (não custa nada consultar seu advogado), e mãos à obra, sem esquecer que a liberação de dinheiro para as fases da obra deve acompanhar um cronograma físico-financeiro pré-elaborado, ou seja, etapa não concluída não deve ser paga, jamais. Boa sorte e, se tiver alguma dúvida, escreva pra gente.
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